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TESTEMUNHOS: PADRINHOS, VOLUNTÁRIOS, PARCEIROS

 

pedroPalmaFerro_apoiar_testemunhosPedro Palma Ferro

O Pedro deixa-nos um conjunto de textos que nos relatam o que tem sido a sua experiência com a APOIAR e a forma como isso tem transformado a sua vida.

Este padrinho lança também um convite a que se juntem mais padrinhos a esta causa, para que muitas mais crianças beneficiem destes resultados tão positivos que têm sido alcançados ao longo dos anos.

The Final Countdown

A APOIAR voltou a reunir esforços na condução e no encaminhamento de mais um voluntário para terras moçambicanas.

Cabe-me a mim, a partir de dia 20 de Setembro, tamanha responsabilidade.
Há uns meses fui bater à porta da sorte a Almeirim, em vez de ter esperado que a mesma se encarregasse de me encontrar e deparei-me com um projecto simples mas enternecedor.
Ocupar-me-ei da escola primária e de toda a realidade envolvente, nomeadamente da formação a professores e educadores, almejando um futuro mais risonho para estas crianças na esperança de um reforço para as suas capacidades sociais e cognitivas.
A maturidade disfarçada ou o disfarce imaturo dos meus 25 anos formam o expoente máximo do galvanizar da minha viagem, porque na flor da idade, aquilo que irei receber goleará certamente o que terei para dar. E o mais espantoso disto tudo, é que este fenómeno surgirá de forma natural e inocente por parte de todas as personagens que encontrarei e que marcarão o meu futuro.
Tenho esperança que os filtros da minha ajuda ou a ajuda obtida através dos meus filtros, embora mais pensada e reflectida os possa ajudar também.
Parto dia 20 para Maputo, um dia depois chego a Beira, mais especificamente ao Dondo.
Pedro Palma Ferro 

Nós temos tudo

Nós temos tudo. Quando não temos pedimos e dão-nos. Quando não nos dão arranjamos maneira de consegui-lo e voltamos a ter tudo.

Eles não têm nada. Pedem e nada lhes dão, tentam arranjar maneira de consegui-lo mas continuam com tudo o que sempre tiveram, nada.

Nós não estamos bem, vivemos e queixamo-nos como se não tivéssemos coisa alguma. Eles estão óptimos, são felizes, saltam e brincam como se sempre tivessem tido tudo.

E se fizéssemos um puzzle? Se juntássemos as posses e os conhecimentos de uns com a alegria e a força de viver de outros? Foi isso que a APOIAR fez e continua a fazer.

Quem lá esteve voltou muito mais feliz e com um sentimento de dever cumprido, quem por lá ficou passou a ter mais um futuro muito mais instruido.

Os nossos sonhos cruzaram-se, cruzam-se e continuarão a cruzar-se com os deles, nós ajudamos porque podemos, eles não sabem mas ajudam nos a dobrar.

Mas ainda faltam muitas peças!

Pedro Palma Ferro

O ponto de viragem

Tenho seis ou sete grandes amigos há muitos anos. Um músico, um jurista, três gestores e dois garotos da sociedade que ainda nada são, que fazem como eu e escrevem “estudante” na profissão. Também tenho um amigo que foi para padre e coincidência, ou talvez não, é o único desta malta toda que é feliz. E não é por ser padre. Podia ser surfista, escritor, antiquário, criador de golfinhos ou jogador de tétris.

Só falei dele porque de todos ,foi o único que pôs tudo para trás com o intuito de alcançar esse fim tão meritório.

Eu ando há anos para acabar o curso, ando há anos para decidir o que quero fazer no futuro, ando há anos para assentar ideias e horários, namoradas e trabalho. Eu ando há anos. Ando há anos para trás a viver e a reviver rascunhos que não passam disso mesmo, à procura de um original que tarda em aparecer e  agarrando-me fielmente ao verbo adiar.

Sim, deixo sempre para amanhã o que podia e devia ter feito hoje ou ontem. Minto, anteontem. Menti outra vez, já o devia ter feito na semana passada. Mas ainda bem que hoje em dia se escreve num computador porque ainda vou a tempo de editar. Comecei por fazê-lo já mas sem borracha. E fi-lo da melhor maneira no dia 6 de Maio de 2015, inscrevendo-me como voluntário na APOIAR.

Faz o mesmo. Voluntaria-te, vai-te e vais fazer bem!

Pedro Palma Ferro


Laura Gonçalves Pereira

“Ao longo dos dezasseis anos em que participei em projectos de cooperação para o desenvolvimento, realizei que tinha mais a receber do que a oferecer. Com os conhecimentos adquiridos em testemunho de uma geração para outra, povos como o Moçambicano, foram capazes de construir obras complexas que nos levariam muitos anos de estudo. O nosso papel na APOIAR? Ajudar a ordenar esses conhecimentos de forma a poder generalizá-los. A APOIAR tem sido o projecto de uma vida.”

 


Teresa Schmidt

“Sentir-me útil em países longínquos e em situações por vezes precárias foi das melhores e mais entusiasmantes coisas que fiz na minha vida.”

 

 


 

Omar PomarPrata_testemunhorata

“No coração trazemos um emblema. Um emblema de futuro e mudança Onde a Adversidade se torna esperança. Uma esperança de um novo Olhar. Na formação, vemos os sorrisos de vários meninos. Todos têm o direito de aprender, nós responsabilizamos-nos por os ensinar. Estamos aqui desde 1995 com a única mas suficiente missão de Preencher o coração. A natureza torna-se mais eterna com esta necessidade de afectividade humana. E é no braço que o laço se estende e se prolonga, numa barreira infinita, uma barreira que deixa de ser barreira e se transforma numa simples e bonita ligação entre duas pátrias e uma só Bandeira: a Língua Portuguesa.”


leonorLeonor

“Vivi momentos inacreditáveis, experiências incríveis, coisas que só mesmo em África é que se vive!! Fiz coisas que nunca na vida achei que era capaz de fazer, senti Deus na minha vida como nunca antes tinha sentido! Eu pedi forças e Deus deu-me dificuldades para me fazer forte; Eu pedi sabedoria e Deus deu me problemas para resolver; Eu pedi prosperidade e Deus deu me cérebro e músculos para trabalhar; Eu pedi coragem e Deus deu me obstáculos para superar; Eu pedi amor e Deus deu me pessoas com problemas para ajudar; Eu pedi favores e Deus deu me oportunidades. Eu não recebi nada do que pedi, mas recebi tudo o que precisava. Agora sinto falta daquela gente, daquela simplicidade e alegria constante, de acordar de manhã e pensar “O que é que Jesus vai por hoje no meu caminho? Será que vou ser capaz?”. Agora sei que nada é impossível e que nós somos capazes de tudo! Que com amor, paciência, resistência e resiliência conseguimos transformar os pequenos pormenores da vida em feitos enormes e assim mudar o mundo! Agora estou aqui, mas um dia vou voltar!!””


marianaMariana

“A nossa ida para Moçambique foi uma das melhores senão a melhor experiência da minha vida.
Sem dúvida foi o mês em que mais cresci e aprendi. Dei de mim tudo o que tinha e o que não tinha e em troca recebi o mundo. Lá vivi a alegria de um povo que nada tem mas que tudo dá. Aprendi que a simplicidade é um dom e reaprendi que a gratidão e a humildade são duas das qualidade mais importantes que uma pessoa pode ter. Num mês cresci muito e agora espero continuar a aplicar na minha vida o que aquele povo me deu e me ensinou. Uma parte de mim ficou em Moçambique e espero levar Moçambique sempre comigo para onde quer que for.”


teresaTeresa

“O que lá vivi foi uma intensa e espetacular jornada! Moçambique tornou-me realmente mais simples … o que lá vivi nem sempre foi fácil, e isso tornou-me uma pessoa que sabe agradecer o que tem… as pessoas com quem lá vivi são tão alegres que contagia, e isso ensinou-me que para ser alegre não é preciso ter coisas mas querer ser ! O que lá vivi foi uma união e amizade com os voluntários, educadores e crianças! O que lá vivi fez-me perceber o sentido desta frase: ” Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. deixam um pouco de si e levam um pouco de nós. ” E agora ?!… Comecei as aulas, a minha rotina, sinto me diferente e tinha medo de me esquecer de pequenas coisas que foram importantes e que fizeram com que a minha vida mudasse, mas percebi que se continuar a cultivar tudo o que aprendi lá e usar isso no meu dia a dia, nunca me vou esquecer ! E agora ? não vou deixar de ajudar a fundação porque não é impossível ajudar à distância, não vou deixar de me dar com os voluntários porque passaram a ser meus amigos para a vida!”


miguelMiguel

“Em Moçambique vivi a pobreza africana. Estamos habituados a ouvir falar da pobreza africana há muito tempo, e temos plena consciência que ela existe, mas aqui de longe não é possível percebermos o que lá se passa. É preciso ir. Lá vivi esta pobreza, falei com esta pobreza, ajudei-a, comi á mesa com ela, ri-me com ela, fiquei chateado com ela, conheci-a, e acima de tudo, aprendi muitas lições com ela. Acabei por ficar amigo dela! Em Moçambique desligámos do nosso dia-a-dia e não tivemos outra hipótese senão dar o melhor que há em nós, gratuitamente. A lidar com os problemas reais de pessoas reais. Agora, é assentar a poeira e começar a varrer a casa. São muitas as lições que aprendemos lá, que chegamos cá meio confusos. O contraste entre o estilo de vida africano e europeu é mesmo muito grande. Agora, depois de perceber que a minha vida continua e é nela que sou chamado a ser bom, tento fazer com que o que lá vivi não tenha sido em vão. Realizo que isso é tão simples como olhar para os nossos pais, irmãos e amigos e fazer o que for preciso fazer, gratuitamente, sem cruzar os braços, e com alegria! Tal como fizemos em Moçambique durante um mês. É esta a grande magia da pobreza africana: apesar da miséria, fome e doenças, ela ensina-nos a ser simples e alegres dentro dos nossos problemas! Agora que conheci a pobreza africana quero que ela volte para Portugal comigo e quero ser mais como ela!”


binhaBinha

“O que lá vivi foi incrível, pode parecer um bocado clichê dizer que foi incrível e único e que quero lá voltar mas são mesmo as palavras que mais descrevem o nosso mês espectacular, foi incrível tanto individualmente como grupo, formamos um grupo espectacular e trabalhamos muito bem em equipa! Não tenho dúvidas que vamos todos ficar amigos para a vida e que vamos voltar todos juntos! Um mês a conhecer uma cultura diferente, pessoas com realidades e vidas diferentes, histórias de vida completamente diferentes das que nós estamos habituados, os sonhos daqueles miúdos com quem nós lidávamos e estávamos todos os dias! Vivemos 1 mês inteiro numa realidade muito diferente da nossa e do que nós estamos habituados a ver e a viver! Vivemos e conhecemos coisas muita fortes neste mês, desde ver pessoas e bebés a morrer, a bebés a nascer, a crianças a morrerem à fome, a crianças abandonadas, a transportar mortos para a morgue, a limpar o hospital onde tivemos uma semana a fazer o que fosse preciso, a doar do nosso próprio sangue para salvar vidas, a remodelar escolinhas, formar jovens e educadores, a uma felicidade do povo moçambicano no meio de tanta pobreza, a visitar bairros muito muito pobres! Tanta coisa! Tantas histórias para contar! Todos os dias convivíamos com crianças da Fundação LVida e não só, desde de manhã até ao fim da tarde! Todos os dias éramos bem recebidos em qualquer sítio onde fossemos, todos os dias tínhamos crianças atrás de nós com um sorriso de orelha a orelha e com uma felicidade gigante por nós estarmos ali! Foi 1 mês em que cresci muito, em que passei a ver as coisas com mais simplicidade e humildade e quero continuar a alimentar isso! Foi um mês em que senti Deus de uma maneira especial todos os dias em mim, no nosso grupo, em todas aquelas pessoas, em todas as coisas q nós fazíamos, em todas as histórias e coisas que víamos! Foi Deus que nos enviou e nos ajudou todos os dias! E agora?? E agora, tenho saudades de todos aqueles miúdos, de tudo o que lá vivi e aprendi, todos os dias penso em todas aquelas pessoas na sua simplicidade e alegria contagiante. Em tudo o que Deus me colocou à frente durante aquele mês, em todos os obstáculos ultrapassados. De todas as vezes que duvidei ser capaz e que a força daquele povo me fez conseguir. E agora só quero agradecer muito e dizer que vou voltar!”


mafaldaMafalda

“Vivi num mês o que ansiava por experimentar há anos… Em Moçambique pude estudar e tentar perceber a realidade de um mundo tão diferente do nosso. Vi o que é viver na pobreza, o que é comer, trabalhar e estudar na pobreza, como é ficar doente e como é tratar doentes na pobreza, como é ter bebés na pobreza, como é morrer na pobreza. Vi, acima de tudo, como é viver com tanta dignidade tendo tão pouco. E aprendi que é possível ser alegre e feliz assim. Foi um mês bem cheio: de trabalho, de experiências, de relações, de oração, de transformação. Mas também de paciência, de esforço e de muito cansaço. Foi preciso mudar de planos várias vezes, encaixarmos-nos num ritmo e em mentalidades que não são os nossos, puxar pela cabeça e pela criatividade. Foi sobretudo uma grande lição de humildade, dada por quem nunca nos pediu que lá fossemos e que reage de uma maneira diferente à que esperamos, mas que depois nos desarma com a sua simplicidade e alegria verdadeira de nos receber. Também vimos uma Igreja cheia de vida, exemplos de Fé gigantes e uma maneira mais fácil e óbvia de seguir Jesus. E, claro, fiz amigos que trago no coração: uns que voltaram comigo e outros que ficaram mas que sei que nos vamos encontrar outra vez, mais cedo ou mais tarde! E agora? Agora posso testemunhar a importância do papel das ONGs para a vida de tanta gente por este mundo fora, e para pessoas concretas com que me cruzei. Agora dou pela minha cabeça e pelo meu coração a voltarem a toda a hora para o Dondo e para a Fundação, a tentar adivinhar o que estará a acontecer, a pensar no que mais podemos nós fazer por eles. E agora voltei uma Mafalda mais encontrada e com mais certezas de por onde é o meu caminho.”


afonsoAfonso

Acordar bem cedo de manhã, -trabalhar, -ao anoitecer rezar e ir dormir. Para alguns esta rotina mata, mas na minha opinião estas três coisas foram algo que durante o mês que passei em Moçambique me deram uma paz extraordinária. Começando pela primeira coisa, acordar cedo, para mim a maior das pequenas grandes coisas, foi para mim uma bússola diária, e uma forma de treinar a minha auto-disciplina. A segunda o trabalho, foi nesta actividade que comecei a aprender a ter paciência com as pessoas, a não ser tudo como eu quero, em Moçambique experimentei a imprevisibilidade total. Tentei ensinar o máximo que pude, principalmente a nível moral, mas na verdade aprendi eu mais com as pessoas que lá conheci. Aprendi a fazer carrinhos de arames que com certeza irei ensinar aos meus filhos se os tiver! Aprendi também que lavar o chão de um hospital pode ser uma tarefa de uma grande beleza. Por último, quando chegavam os dias ao fim, quando acabava o barulho e toda a barafunda, o ouvir os grilos e olhar para um céu tão estrelado e tão pouco poluído, o sentar e rir e contar as historias que se haviam passado uns aos outros, não tinha preço possível. Rezávamos todos os dias em agradecimento e foi isto também que nos uniu muito como grupo. Quando me deitava, pensava ‘isto sim é um dia à maneira’ e logo seguir truca. Agora vim estudar para a Áustria e o mundo é outro, quero desenvolver-me mais academicamente, mas como o meu pai dizia, ‘África é um boomerang vais e queres sempre voltar’, acho que não podia estar mais certo, quero voltar. Mas… o futuro a Deus pertence”.


João Hipólito

“Foi em 2015 que decidi por em práctica um sonho, o de fazer durante um tempo um projecto de voluntariado. A oportunidade surgiu em inicio de 2016, através da Apoiar, e assim parti para Moçambique em Maio deste mesmo ano. Estive em Moçambique por 4 meses, na Provincia do Niassa, na remota Mandimba, a acompanhar o Projecto Kukula. Sendo a educação tão importante no futuro de um País, o Projecto Kukula, está a ajudar a formar crianças que por via disso mesmo, poderão ter um dia uma vida melhor. Sem dúvida nenhuma que foi melhor do que eu esperava, pois darmos do nosso tempo aos outros, não tem preço e é sem dúvida um privilégio. É sem dúvida uma experiência que nos faz ver o mundo de outra forma, e de infelizmente nos trazer certezas do que sempre ouvimos falar: que existe muita pobreza no mundo e muito por fazer. Por isto mesmo, faz todo o sentido darmos, nem que seja pouco, do nosso tempo para ajudar a desenvolver projectos como este e outros. Todos os que tiverem oportunidade de fazer voluntariado, deveriam fazê-lo pois é muito gratificante e muda a nossa visão da vida. Talvez se todos ajudarmos um pouco o mundo possa ser um dia melhor e mais justo. Nem sempre é fácil sairmos da nossa zona de conforto, mas também isso é um teste a nós próprios e faz-nos crescer como pessoas. E como em tudo na vida, rapidamente habituamo-nos a viver noutras condições e com pouco, apenas focados no que nos trouxe que foi ajudar. Aprendi muito com o povo Moçambicano e com a sua simplicidade, e tenho muita honra de ter dado um pouco do meu tempo. Futuramente espero que o projecto possa crescer e ser replicado em outras zonas de Moçambique e quem sabe um dia, em outros Países necessitados. Agradeço á Apoiar a oportunidade que me deu, que me tornou bem mais rico, e desejo todo o sucesso neste e noutros projectos, e talvez que um dia os nossos caminhos se cruzem de novo”.